O futuro da produção em águas profundas

O aumento da produção de petróleo não é determinante do crescimento da demanda por navios de Apoio Marítimo. A localização das novas descobertas e a quantidade de novas estruturas flutuantes necessárias são indicadores de demanda futura.

A Petrobras vem contratando plataformas marítimas de produção para atender necessidades fora do seu planejamento original. Este é o caso do contrato para o afretamento com a companhia norueguesa Sevn Marine para a plataforma necessária ao campo de Piranema.

A plataforma está sendo construída na China, para entrega em 2006. Outras duas plataformas também estão sendo afretadas no exterior para produção no campo de Golfinho, no Espírito Santo.

O planejamento da Petrobras de contratação de plataformas é o seguinte:

P-43 – Barracuda, em operação;
P-47 – Marlim, em operação;
P-48 – Caratinga, em operação;
P-50 – para Albacora Leste, em construção;
P-51 – para Marlim Sul, em construção;
P-52 – para Roncador, em construção;
P-53 – para Marlim Leste, em construção;
P-54 – para Roncador em projeto;
PRA-1 – plataforma fixa operando sistema de bombeamento

Três novas plataformas serão afretadas no mercado internacional para adiantar a entrada em operação dos novos campos de gás natural descobertos, segundo anunciou a Petrobras no início de 2005.

Segundo dados da Douglas-Westwood os campos de águas profundas são uma característica para o futuro no mercado de estruturas de produção do tipo FPSO (Floating, Production, Storage, Overflow – navios petroleiros reconstruídos e que recebem superestrutura de processamento de óleo bruto).

A expectativa é que nos próximos cinco anos 70% do mercado de FPSO tenha como demanda campos de produção de águas profundas, onde o volume de produção é maior e os sistemas de produção permanecem em operação por prazo mais longo, reduzindo o mercado de afretamento para relocalização dessas estruturas flutuantes.

Esse cenário explica a opção da Petrobras em buscar no mercado afretamentos de plataformas para iniciar produção mais rapidamente, enquanto o mercado de construção de FPSO apresenta momento de aquecimento e aumento de preços. O aumento do preço do petróleo estimula empresas petrolíferas a visar campos que antes apresentavam menor perspectiva de produção, ampliando a demanda por estruturas offshore.

Segundo dados da Petrobras as estruturas flutuantes em águas profundas na bacia de Campos são 104 e atendidas por 108 navios de apoio. Portanto a instalação de novas estruturas offshore, dependendo do local onde irá operar, indica a necessidade de afretamento de um ou mais navios de Apoio Marítimo para cada nova estrutura flutuante instalada.

A publicação internacional Fearnleys Offshore Supply, registra uma sólida base de expansão de negócios para o segmento de produção offshore pelos próximos seis anos. Segundo a publicação, o ano de 2005 promete ser o início de uma fase de grande demanda e aumento dos preços de afretamentos de navios de Apoio no mercado mundial.

Está ficando difícil encontrar navios de Apoio Marítimo disponíveis. Os que estavam no Mar do Norte, apostando na sazonalidade do mercado “spot”, estão sendo afretados para outras áreas, inclusive para o Brasil, para atender a operadores que aguardam a entrega de navios de Apoio maiores e mais modernos em construção.